A Última Tinta de 2025 e o C Novo
31 de dezembro de 2025.
Cai a tarde deste último dia do ano. Enquanto a luz se recolhe no horizonte, ouço o som metafórico de um livro se fechando. Não é um livro qualquer; é o tomo denso, pesado e vivo destes últimos 365 dias.
Ao passar a mão pela capa gasta de 2025, percebo que a narrativa foi tudo, menos monótona. Houve páginas em que a letra saiu tremida, rasuras onde a vida não seguiu o roteiro planejado. Entretanto, houve também parágrafos inteiros onde a tinta brilhou, refletindo a luz nos olhos de quem viveu intensamente.
A natureza, sábia professora, nos guiou por esse enredo. Tivemos noites de lua cheia clareando a alma e tempestades onde o sol parecia ter desistido. Mas aprendemos, a duras penas, que até o astro-rei precisa de seu recolhimento. A chuva e o vento não vieram para destruir, mas para lembrar que a escuridão é passageira e que nenhuma nuvem é eterna.
Agora, o vento vira a página final. O que vem a seguir não é o fim da história, mas o convite irresistível do papel em branco. Temos nas mãos um caderno novo, com 365 folhas imaculadas. É uma oportunidade finita e, por isso mesmo, sagrada.
Aqui, nestas linhas que escrevo e na vida que vivemos, a pauta foi intensa. Entre família, amigos, torcedores, adversários e políticos, o enredo ferveu. Sei que, por vezes, a pena pesou. Houve quem se doesse com as necessárias "urtigadas", afinal, o Urtiga do Juruá não carrega esse nome em vão. A verdade, às vezes, arde, dói ou incomoda.
Mas, ao olhar para trás, durmo com a consciência tranquila de quem não cedeu à tentação da porta larga. O caminho dos privilégios fáceis é sedutor, asfaltado e cheio de luzes artificiais, mas seu preço é a integridade. Preferimos a porta estreita. O caminho difícil, que exige renúncia e suor, mas que é o único verdadeiramente abençoado.
O ano velho se despede, mas a nossa essência permanece. Para 2026, a promessa não é de facilidades, mas de fidelidade. A caneta está cheia, o papel está à espera e o compromisso está firmado: seguiremos parceiros da informação e do cidadão.
Que venha o novo tomo.
Obrigado, 2025, por cada lição.
E um feliz 2026 para todos nós.
Neto Gontran

Comentários
Postar um comentário