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Rapidinhas com UrtigaDoJuruá




Gontran Neto
Jornalista


A HEGEMONIA DE 20 ANOS DO PT NO ACRE
O período entre 1998 e 2018 marcou uma era de domínio político do Partido dos Trabalhadores (PT) no Acre, com cinco vitórias consecutivas para o governo estadual. No entanto, uma análise detalhada dos resultados eleitorais revela nuances importantes, especialmente no que tange ao desempenho dos candidatos presidenciais do partido no estado, culminando no fim dessa hegemonia na eleição de 2018.
 
O INÍCIO DA HEGEMONIA: AS VITÓRIAS EXPRESSIVAS DE JORGE VIANA E BINHO MARQUES
A trajetória de sucesso do PT no executivo acreano teve início em 1998, com a eleição de Jorge Viana, que obteve uma vitória expressiva com 57,70% dos votos. 

Viana foi reeleito em 2002, consolidando a força do partido no estado. A continuidade do projeto político petista foi assegurada em 2006 com a eleição de Binho Marques, que também triunfou no primeiro turno com 53,05% dos votos válidos.
 
Essas vitórias consecutivas e com margens significativas no primeiro turno solidificaram a percepção de uma força política quase imbatível, sustentada por um amplo apoio popular. 

Durante esse período, os números nas urnas confirmaram a preferência do eleitorado acreano pelo projeto político liderado pelo PT.
 
A RESILIÊNCIA COM TIÃO VIANA E OS SINAIS DE ALERTA NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
A terceira figura a liderar o estado pelo PT foi Tião Viana. Em 2010, Tião Viana manteve a tradição de vitórias no primeiro turno, sendo eleito com 50,51% dos votos. 

No entanto, um fato relevante desse período foi o desempenho da então candidata à presidência pelo PT, Dilma Rousseff, que foi derrotada no Acre por José Serra (PSDB) tanto no primeiro quanto no segundo turno (no segundo turno, Dilma obteve 30,33% contra 69,67% de Serra).
 
Em 2014, a eleição para o governo foi mais acirrada, e Tião Viana garantiu sua reeleição apenas no segundo turno, com 51,29% dos votos.

Novamente, a candidata presidencial do partido não obteve a maioria dos votos no estado. No primeiro turno, Dilma Rousseff ficou em terceiro lugar, atrás de Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB). No segundo turno, Aécio Neves venceu no Acre com 63,68% dos votos.
 
Esses resultados indicavam uma crescente dissociação entre o eleitorado local, que ainda apoiava a liderança do PT no governo do estado, e as suas preferências na disputa presidencial, sinalizando um desgaste da marca do partido a nível nacional com reflexos locais.
 
É importante corrigir a informação de que as vitórias de Lula foram sempre expressivas no Acre. Em 2002, Lula de fato venceu no estado no primeiro turno com 46,81% dos votos. 

Contudo, em 2006, Lula foi derrotado no primeiro turno no Acre por Geraldo Alckmin (PSDB), obtendo 42,62% contra 51,79% do adversário, embora tenha revertido o resultado no segundo turno.
 
O FIM DA HEGEMONIA
A partir da reeleição de Tião Viana em 2014, o cenário político no Acre começou a se transformar de maneira mais acentuada. O desgaste acumulado, somado às crises política e econômica nacionais que afetaram o PT, preparou o terreno para o fim de um ciclo de 20 anos.
 
Nas eleições de 2018, o PT não obteve mais respostas positivas nas urnas no campo majoritário. O candidato do partido ao governo, Marcus Alexandre, foi derrotado ainda no primeiro turno por Gladson Cameli (PP), que se elegeu com 53,71% dos votos, enquanto o petista alcançou 34,54%. 

A derrota de Jorge Viana na disputa pelo Senado no mesmo ano simbolizou o encerramento definitivo do período de hegemonia do Partido dos Trabalhadores no Acre.
 
UM PASSADO DE CONFIANÇA
Os números demonstram que, no passado, a maioria dos eleitores do Acre depositou sua confiança no projeto político de Lula. O cenário atual, no entanto, torna improvável uma retomada do protagonismo petista no estado a curto prazo.
 
POPULARIDADE PERMANECE BAIXA
Apesar de um histórico de investimentos federais durante seus mandatos e de gestos recentes, como o anúncio de R$ 1 bilhão em investimentos e a construção da ponte em Rodrigues Alves, a popularidade de Lula no Acre permanece baixa. 

Dados do instituto Paraná Pesquisas indicam que 61% dos eleitores acreanos desaprovam sua gestão atual, contra 34,9% de aprovação.
 
AVERSÃO AO PT, A ESQUERDA E A LULA NO ACRE
Essa aversão pode ser explicada, em parte, pelo forte alinhamento do estado a pautas conservadoras, nas quais o discurso de Jair Bolsonaro encontrou maior identificação e respaldo popular. Nem mesmo o carisma pessoal de Lula contribuiu para melhorar sua imagem junto a esse eleitorado.
 
PRESTÍGIO SEM ENTREGAS
Mesmo sem nenhuma obra de grande impacto ou melhoria realizada diretamente por sua gestão no Acre, a figura de Jair Bolsonaro consolidou-se como um ídolo para uma parcela significativa dos acreanos. Esses eleitores se identificam mais com sua ideologia do que com os benefícios práticos oferecidos por seu adversário.
 
UM TERRITÓRIO POLITICAMENTE DESAFIADOR
Em resumo, mesmo depois de o PT ter administrado o estado por 20 anos, o Acre se transformou em um território politicamente desafiador para a esquerda. 

A carência não é apenas de novas lideranças, mas também da necessidade de trabalhar para amenizar o sentimento de ódio para com o PT e a esquerda, que no Acre parece ser mais acentuado do que em outros estados.
 
CENÁRIO PARA 2026
As projeções do Paraná Pesquisas para a eleição presidencial de 2026 reforçam a dificuldade do PT no estado. Em todos os cenários simulados, Lula é superado por ampla margem por candidatos do campo da direita, como Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
 
Portanto, é desolador para as pretensões do PT, indicando que a reconstrução de sua influência será um processo longo e árduo. O caminho para a esquerda no Acre não passa por apontar culpados, mas por uma profunda reavaliação de suas próprias estratégias e posturas. 

É preciso abandonar a arrogância, reconectar-se com as bases e compreender as razões da ascensão do conservadorismo, dialogando com um eleitorado que, hoje, se sente mais representado por outra visão de mundo.


 
 
 

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