O ECO DE UM SILÊNCIO COMPARTILHADO
O DIVÓRCIO ENTRE O PALANQUE E A CANETA
Quem te viu, quem te vê. Zequinha Lima e Henrique Afonso,
outrora unidos pela foice e pelo martelo e pela gestão de Cruzeiro do Sul, hoje
mal parecem habitar o mesmo quadrante político.
DIVÓRCIO ANUNCIADO
A imagem que chegou a esta coluna é o retrato de um divórcio
anunciado: um clima pesado que dispensa legendas. Fica claro que a antiga
parceria de prefeito e vice sucumbiu a novos (e divergentes) objetivos
O NAUFRÁGIO DO CONSENSO
Uma das nossas "abelhinhas", daquelas que não
perdem um zum-zum-zum de bastidor, relatou que o discurso de Henrique Afonso
foi um verdadeiro exercício de equilibrismo e gelo. Em sua fala, Afonso não
gastou um miligrama de saliva para mencionar o nome do chefe do Executivo
local.
EM UM PEDESTAL
O "carinho", porém, sobrou para a governadora
Mailza Assis, colocada devidamente em um pedestal de destaque.
NA MESMA MOEDA
Zequinha Lima, que não é de levar desaforo para casa nem no ‘bolso
do paletó’, deu o troco na mesma moeda: em seu diálogo com a plateia, ignorou
solenemente a existência da governadora, que, detalhe, é do seu próprio
partido.
A MORAL DA HISTÓRIA?
No PP de Cruzeiro do Sul, o consenso pediu chapéu e foi
embora. O que sobrou foi um "salve-se quem puder" em um barco que já
começou a entrar água.
A ARROGÂNCIA DOS "JÁ GANHOU" E O TIRO NO PÉ NO
MDB
O tabuleiro sucessório ao governo do Acre desenha um cenário
de guerra de foice no escuro. As pesquisas não mentem: a direita lidera, mas o
clima é de "cada um por si". Com Alan Rick na dianteira e o empate técnico entre Tião
Bocalom e Mailza Assis, a única certeza matemática é que ninguém leva a fatura
no primeiro turno.
MIOPIA
A disputa está acirrada, mas o que chama a atenção não são
os números, e sim a miopia de quem deveria saber ler o cenário.
O "ARROTO" DA SOBERBA
O perigo mora na soberba. Certos "líderes"
políticos, daqueles que já deveriam estar usufruindo da aposentadoria, dado o
prazo de validade vencido de suas ideias, andam arrotando uma autossuficiência
perigosa. No auge do delírio, pregam abertamente que "não precisam"
do voto de quem um dia flertou com o PT. É a política da exclusão em um estado
onde cada voto é uma pepita de ouro.
O AGRADECIMENTO AO MDB
Para os estrategistas de gabinete do MDB, fica aqui um
aviso: a matemática do segundo turno é a soma das rejeições. Ao demonstrarem
repulsa pública e hostilizarem fatias do eleitorado, os "cardeais"
emedebistas (que escaparam pela mão do Gladson) estão fazendo um favor
gigantesco aos adversários.
O RECADO É CLARO
Se a chapa Mailza/Jéssica esperava herdar votos de centro ou
da esquerda moderada em uma eventual final, já pode enviar um buquê de flores
ao MDB. A língua afiada de certos aliados é, hoje, o maior cabo eleitoral da
oposição. Quem cospe para cima, costuma esquecer a lei da gravidade.
MARINA SILVA: O SUCESSO NA SELVA DE PEDRA
Marina Silva é, sem dúvida, o maior nome da política acreana
no cenário global, mas parece que o título de "profeta em sua terra"
não lhe cabe mais. Com um currículo que impõe respeito, foi a senadora mais
jovem do país em 1994, vereadora, deputada e ministra por duas vezes (deixando
o cargo agora, em abril de 2026, com o dever cumprido), Marina hoje é um
fenômeno eleitoral... em São Paulo.
A IRONIA É FINA E CORTA COMO FOLHA DE CANA
A mesma mulher que ajudou a desenhar o Acre moderno, se
tentasse um cargo majoritário por aqui hoje, correria o risco de não ganhar nem
para centro acadêmico.
LÍDER NA CAPITAL DO TRABALHO
Enquanto no Acre o silêncio sobre seu nome impera, em São
Paulo ela dita o ritmo. O levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado
nesta quinta-feira (16), mostra Marina Silva liderando com folga todos os
cenários para as duas cadeiras do Senado em 2026. Com números que batem na casa
dos 37% de intenções de voto, ela deixa para trás figurões da política
paulista.
A PERGUNTA QUE FICA NO AR
Por que o eleitor paulista enxerga em Marina o ouro que o
eleitor acreano decidiu enterrar? Pelo visto, o Acre prefere exportar seus
talentos para vê-los brilhar bem longe das bandas do Rio Acre. É o orgulho
acreano que o estado, por pura birra política, decidiu não consumir.

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