Entre a Fidelidade Cega e o Giz que não se Apaga
EDUCAÇÃO: O JOGO DE EMPURRA E A ESPERA PELA JUSTIÇA
A novela da greve dos profissionais da educação em Cruzeiro do Sul ganhou mais um capítulo de espera. Para quem não recorda, o movimento, iniciado em 30 de setembro de 2025, buscava algo fundamental: a equiparação salarial entre professores efetivos e provisórios.
O BRAÇO FORTE DA GESTÃO
No entanto, o braço forte da gestão municipal agiu rápido no Judiciário, e o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) suspendeu a paralisação em 14 de outubro de 2025. Desde então, a categoria aguarda um desfecho que parece sempre "dobrar a esquina".
AUDIÊNCIA ADIADA: MAIS DIAS DE INCERTEZA
Havia uma expectativa real para esta sexta-feira, dia 27 de fevereiro. Estava agendada a audiência de conciliação que poderia, finalmente, selar um acordo. Contudo, por "conflito de agendas", a designação foi alterada.
DECISÃO ADIADA
A nova deliberação ficou para o dia 10 de março de 2026, às 9h, via videoconferência. E o lado mais fraco dessa história, o professor continua em sala de aula esperando pela valorização prometida.
O "X" DA QUESTÃO JURÍDICA
Para os interessados nos trâmites, os atores desse processo seguem os mesmos: Relator: Desembargador Samuel Evangelista; Requerente:
Município de Cruzeiro do Sul (representado pelo procurador Waner Raphael de Queiroz Sanson); Requerido: Sinteac (representado pelo advogado Antônio de Carvalho Medeiros Júnior).
A PERGUNTA QUE FICA NO AR
Até quando a "agenda" será o empecilho para resolver uma injustiça salarial que já se arrasta por meses? A educação tem pressa.
A ÚNICA CERTEZA: O DESGASTE É IRREVERSÍVEL
Independentemente de qualquer decisão judicial que venha por videoconferência, uma coisa é certa neste imbróglio: a imagem do prefeito Zequinha Lima saiu profundamente arranhada perante a categoria da educação. O dano político já foi feito.
POSTURA DE TRUCULÊNCIA
O que se viu nos bastidores e nas frentes de mobilização foi uma postura de truculência que há muito não se presenciava. A forma como os profissionais foram tratados por membros da equipe do prefeito foi, para dizer o mínimo, revoltante.
ERRO ESTRATÉGICO PRIMÁRIO
Desrespeito e ameaças explícitas de demissão para quem não retornasse imediatamente ao trabalho criaram uma ferida difícil de cicatrizar. Tentar governar na base do "ou canta ou gela o pinto" contra quem ensina os filhos da nossa terra foi um erro estratégico primário.
TRATAMENTO RECEBIDO
Como dizem os mais antigos, com a sabedoria que o tempo traz: “tem giz na lousa que nunca se acaba”. O recado está dado. A memória do professor é longa, e o apagador da prefeitura não parece ter força suficiente para apagar o tratamento recebido durante essa crise.
FIDELIDADE CANINA
Embora o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), mantenha
uma fidelidade canina ao senador Márcio Bittar (PL), a recíproca está longe de
ser verdadeira.
TAPETE PUXADO SEM DÓ
O "tapete" de Bocalom já foi devidamente puxado e pelo
PL, ele não terá legenda para o governo em 2026.
A SÍNDROME DE ESTOCOLMO
Mesmo assim, ele continua leal
aos seus algozes. É o que podemos definir como uma clara “Síndrome de
Estocolmo” política, onde a vítima, mesmo sendo prejudicada, desenvolve uma
complacência cega por quem a isola.
PERDEU O COMANDO
Enquanto isso, em Cruzeiro do Sul, as "abelhinhas
azuis" sopram que o prefeito Zequinha Lima (PL) comete o erro fatal de
muitos gestores em declínio: a terceirização do entusiasmo de governar. O
encanto pela gestão parece ter dado lugar à apatia.
TITULARIDADE EM DÚVIDA
Nas redes sociais e nos
corredores da prefeitura, já se tornou comum ver o assento principal da mesa de
decisões ocupado por secretários, enquanto o titular da cadeira parece figurar
apenas no papel.
NÃO AO PODC
Para além do jornalismo, minha formação em Administração e a
pós-graduação em Políticas Públicas me permitem diagnosticar com clareza: o
ciclo básico do PODC (Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar) foi abandonado,
ou talvez nunca tenha sido implementado nesta gestão.
"DEIXA A VIDA ME LEVAR"
Ligaram o modo
"deixa a vida me levar", e o resultado é uma administração sem rumo,
onde o que vier é lucro e o resto, como diz o ditado, "sai na urina".
FAZ O Z?
Ao publicar o contrato de R$ 3,5 milhões da
Prefeitura de Cruzeiro para alimentação pronta em 2026, recebi um comentário
irônico: “Faz o ZZZZ”. Felizmente, essa carapuça não me serve. Minha percepção
política não é a de que “vale tudo” no andar de cima.
CONTROLE SOCIAL
Alertar sobre o uso do
dinheiro público é um dever, e a cobrança precisa ser uma via de mão dupla.
Quem governa para o povo não pode se esquivar do controle social.

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