Naufrágio de Zequinha: entre a água no pescoço e o mutismo
de seus secretários e assessores
POPULARIDADE EM QUEDA LIVRE
Não é preciso ser um gênio da estatística ou contratar
institutos de pesquisa para mensurar o declínio do prefeito Zequinha Lima (PP). O
termômetro mais real, e cruel, está na palma da mão: basta uma
"curiada" rápida nos comentários de suas redes sociais. O cenário é
de terra arrasada.
MEDO DE BOLA DIVIDIDA
Mas o que chama atenção não é apenas a irritação do povo, e sim
a omissão institucionalizada de sua equipe de confiança. Onde estão os
secretários e assessores de primeiro escalão? No primeiro sinal de "bola
dividida", essa turma se esconde sob as mesas, deixando o prefeito sangrar
sozinho em praça pública digital. É um governo de sombras, onde ninguém coloca
a cara no sol (ou na chuva) para defender um projeto que parece ter perdido o
rumo.
O "PISCINÃO" DE CRUZEIRO DO SUL
O temporal que castigou Cruzeiro do Sul nesta quarta-feira
(11), à noite, não foi apenas um fenômeno da natureza; foi um atestado de
incompetência urbana. Muros no chão, avenidas transformadas em rios e o
comércio invadido pela lama.
O MANTO DA ÁGUA
O "toque de mestre" da gestão, porém, são os
buracos. Sob o manto da água, as crateras que já "enfeitam" o
cotidiano da cidade tornaram-se armadilhas invisíveis. Motoristas incautos
caíram em verdadeiros tanques de piscicultura urbanos. Se a intenção da
prefeitura era criar um criadouro de peixes em plena via pública, o sucesso é
absoluto. Caso contrário, é apenas o caos de sempre.
NÃO FOI SURPRESA APOCALÍPTICA
Vamos deixar o vitimismo de lado: o "dilúvio" de
ontem não foi uma surpresa apocalíptica. É inverno amazônico, e quem mora em
Cruzeiro do Sul sabe que o céu desaba nesta época. O problema não é o volume de
água, é a omissão crônica e a falta de cuidado com os gargalos históricos do
município.
GESTÃO NA BASE DO "ACHO QUE NÃO CHOVE"
Trabalhar na base do "eu acho que hoje não chove
forte" não é gestão; é torcida organizada. Enquanto a prefeitura espera o
tempo abrir, o comerciante contabiliza o prejuízo e o morador tira a lama da
sala. Não adianta chorar o leite derramado quando o que transbordou foi o
esgoto da incompetência. Em Cruzeiro do Sul, o cuidado deveria ser dobrado, mas
a eficiência parece ter sido levada pela enxurrada.
O SILÊNCIO FORÇADO DO ALTAR: QUANDO O "PISEIRO"
ATROPELA A FÉ
O cenário em Cruzeiro do Sul é de uma ironia trágica: as
missas noturnas na Catedral Nossa Senhora da Glória foram suspensas. O motivo?
O barulho ensurdecedor do Carnaval, instalado estrategicamente na ‘porta do
templo’.
EXPULSOS DA PRÓPRIA CASA
Como bem pontuou o Padre Francisco, não se trata apenas de
uma festa, mas da total impossibilidade de oração. Enquanto o
"piseiro" domina a praça, o sagrado é silenciado. É a inversão
completa de valores, onde a agitação passageira da carne tem prioridade sobre o
recolhimento espiritual da alma.
DESRESPEITO
A falta de diálogo mencionada pelo Padre Francisco Melo
revela algo mais profundo que uma simples falha de agenda: revela o desprezo
pela santidade. Para os promotores do evento, a Diocese parece ser apenas um
detalhe arquitetônico na praça, e não uma instituição que merece respeito.
IGNORAR O ALTAR E PRIVILEGIAR O PALCO
Se houvesse um pingo de reverência pelo que é sagrado, o
poder público teria buscado conciliar os horários e esse atrito não teria
acontecido. Mas não. Preferiram ignorar o altar para privilegiar o palco. Onde
está o respeito à liberdade religiosa e ao silêncio necessário para a missa?
FÉ EM ESPERA, CONFUSÃO EM DIA
Mas parece que a atual administração tem fetiche pela
confusão. Ao antecipar o "piseiro" para o horário da liturgia, o
prefeito não está apenas promovendo o carnaval, está declarando guerra ao
silêncio dos fiéis.
FARISAÍSMO ADMINISTRATIVO
O caso ganha contornos de um teatro de absurdos quando
confrontamos as versões. De um lado, o Padre afirma que "nunca fomos
chamados para conversar". Do outro, a Prefeitura publica uma nota oficial,
com uma segurança quase angelical, dizendo que "tudo foi em comum
acordo".
BARULHO BEIRA O CINISMO
Tentar "santificar" uma decisão unilateral com uma
nota de esclarecimento é, no mínimo, uma tática de fariseu moderno. A realidade
é uma só: a Diocese foi colocada diante do fato consumado, e os fiéis, expulsos
do conforto da oração pela poluição sonora oficializada.
CRÍTICA À SANTIDADE
A santidade de um templo não deveria ser negociável,
muito menos sacrificada no altar da 'política do pão e circo'. Quando uma
gestão municipal prioriza o decibel da folia em detrimento da liturgia da
missa, ela não está apenas promovendo cultura; está profanando o espaço público
e humilhando a fé de uma comunidade. Onde o sagrado é tratado como obstáculo, o
governo se torna o próprio pecado da negligência.

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