COLUNA DE DOMINGO: DO "VAGABUNDO" À DEMISSÃO EM
MASSA
O CALDEIRÃO DO JURUÁ
Bastidores da política com pimenta extra
COLAPSO NO NINHO
Dizem que na região do Juruá a política não é feita com
fígado, mas com bílis. No último dia 21, a tese se confirmou. O que era um
"casamento" sólido entre o deputado estadual Clodoaldo Rodrigues
(Republicanos) e o prefeito Zequinha Lima (PP) virou divórcio litigioso em
praça pública.
A ALDEIA CONECTADA
O motivo? O deputado, sem meias palavras, resolveu
classificar o prefeito, em alto e bom som, com o "substantivo" (que
machuca mais que adjetivo) de vagabundo. Segundo Clodoaldo, Zequinha foi quem
mais o enganou. A "aldeia" não fala em outra coisa.
LEI DE NEWTON (E DA CANETA)
Na política, assim como na física, toda ação gera uma reação,
e no caso de Zequinha, a reação veio a galope e com força desproporcional. O
prefeito não engoliu a ofensa visceral do áudio vazado. A resposta não foi no
microfone, e segundo a abelhinha azul que tudo sabe, Zequinha passou a foice e
exonerou, numa tacada só, todos os indicados de Clodoaldo na prefeitura. Foi
uma limpa cirúrgica.
A MATEMÁTICA DA VÍTIMA
Aqui a narrativa ganha contornos de tragicomédia. Clodoaldo
grita aos quatro ventos que foi o maior prejudicado e "enganado" pelo
ex-parceiro. Mas, calma lá: se a "malha fina" do executivo pescou
tanta gente para exonerar, é sinal de que o deputado tinha, sim, um latifúndio
de cargos na gestão.
OUTRA SITUAÇÃO
Fica a indagação venenosa: se a mágoa do deputado é
"não ter indicado um secretário" para compor o primeiro escalão da
prefeitura, até aí tudo bem, mas como explicar o ‘exército’ de comissionados
que mantinha até ‘ontem’? nesse caso, a conta da "vítima" não fecha.
CLIMÃO NA COZINHA
O enredo ganha ares de novela mexicana quando lembramos da
vice-prefeita, Delcimar Leite (PL), que vem a ser esposa de Clodoaldo. No áudio
bomba, fica claro que ela se sente uma figura meramente decorativa na gestão.
Agora, com o marido chamando o titular de "vagabundo" e o titular
demitindo os afilhados do marido, como fica o clima no gabinete? A
governabilidade entre prefeito e vice, que já era morna, agora congela de vez?
RESPINGOS NO PALÁCIO
Essa briga de foice no escuro não fica restrita a Cruzeiro
do Sul. O estilhaço voa direto para Rio Branco e acerta o colo da
vice-governadora Mailza Assis. Clodoaldo foi o primeiro a jurar lealdade a ela
de "prego batido e ponta virada". Com essa guerra declarada, o
palanque de Mailza no Juruá corre o risco de virar um campo minado. A
desagregação local ameaça enraizar e enfraquecer o projeto majoritário.
PARA FECHAR A TAMPA DO CAIXÃO,
A nossa abelhinha (aquela que tudo sabe e tudo vê) zumbiu
que Zequinha Lima está com a paciência por um fio, a tomada de decisão contra Clodoaldo fala por si, mas também com as
costuras estaduais.
CHUTANDO O BALDE
Irritadíssimo com a aliança forçada com o MDB, há quem
aposte que o prefeito pode dar um "cavalo de pau" na articulação:
jogar tudo para o espaço e cair nos braços do senador Alan Rick. Será? Na política
nada é impossível.
O RIO JURUÁ NÃO PARA
Deixando de lado a turbulência política, a preocupação agora
se volta para a força da natureza. A enchente do Rio Juruá segue em ritmo
alarmante: o nível, que ontem (31) marcava 13,20m, subiu mais um pouco e
atingiu 13,35m neste domingo. O sinal de alerta está ligado.
INÍCIO DE ANO COM DIFICULDADES
Para encerrar a coluna deste domingo: parabéns aos
corintianos pelo título da Copa Rei. Mereceram, pois jogaram com mais vontade
que o time rubro-negro. O ano não começou bem, mas vai melhorar. Só espero que
depois não reclamem do árbitro, pois, se o que aconteceu hoje fosse a favor do
Flamengo, a imprensa paulista teria "entrado em campo".

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