DE VOLTA AO PÚLPITO (E O VAZIO NO ALTAR)
Os vereadores de Cruzeiro do Sul retomaram os seus assentos nesta terça-feira (3), mas a primeira sessão ordinária de 2026 começou com um "vazio" pedagógico. A ausência do prefeito Zequinha Lima (PP) na abertura dos trabalhos legislativos não foi apenas um desencontro de agendas; foi um recado silencioso.
TENSO, GELADO E DISTANTE
A atitude demonstra que o relacionamento entre o Executivo e
o Legislativo cruzou a fronteira do ano novo sem desfazer as malas de 2025: o
clima continua tenso, gelado e distante.
OS PORTA-VOZES DO SILÊNCIO
Para não dizer que o Palácio não enviou flores, a
"sentida" ausência do prefeito foi compensada pela presença da sua
linha de frente. O articulador político José Maria e o chefe da Casa Civil, Ney
Williams, cumpriram o protocolo e fizeram as honras da casa. Representaram o
chefe do Executivo na abertura oficial, mas a pergunta que ecoou nos corredores
foi uma só: até quando a interlocução será feita apenas por procuração?
JURAS DE AMOR
A mensagem "lida" pelos emissários do prefeito faz
questão de romantizar a relação entre o Executivo e o Legislativo. Nas
entrelinhas, o recado é claro: o sucesso da gestão só existe porque todos
dançam conforme a música, em um "acordo comum" que beira a harmonia
celestial.
UMA CIDADE ORGANIZADA E PRODUTIVA
Dizem que o resultado dessa simbiose é uma cidade organizada
e produtiva. E claro, sempre há aquela alma caridosa e inocente que escolhe
acreditar nessas juras de amor eterno, provavelmente as mesmas pessoas que
ainda esperam o Papai Noel.
DO ALTAR AO ABANDONO
A aliança entre PP e MDB para 2026 recebeu a
"bênção" oficial do governador Gladson Cameli, mas o prazo de
validade desse laço é um mistério digno de suspense. Como Gladson já deixou
claro que seu par favorito para o Senado é Márcio Bittar (PL), a conclusão é
óbvia: Jéssica Sales (MDB) é aquela convidada para a festa que ninguém faz
questão de tirar para dançar. Em uma aliança onde a prioridade é o vizinho, o
MDB corre o risco de ficar apenas segurando a vela e a conta.
PL DO ACRE: UMA MONARQUIA DE UM HOMEM SÓ
No zoológico político local, todos sabem que o PL não tem
apenas um presidente, tem um proprietário: Márcio Bittar. Com trânsito livre no
diretório nacional, Bittar já avisou que o seu projeto de reeleição é a
prioridade absoluta.
CHANCE ZERO
Portanto, para os entusiastas de plantão, vale repetir o que
já foi dito nesta coluna: a chance de o prefeito Tião Bocalom disputar o
governo pela legenda é rigorosamente zero. No PL acreano, só há espaço para um
ego por vez, e a cadeira já tem dono.
O CALOTE E O REVIDE
Como o altruísmo não é exatamente uma virtude praticada
nesse meio, ninguém deve se espantar quando o revide chegar. Márcio Bittar
parece acreditar que pode surfar sozinho na onda da direita, ignorando o apoio
vital do governador e do prefeito da capital sem levar um "caldo".
Ledo engano. A conta por essa autossuficiência será apresentada, e o valor será
salgado, o problema é que ele só vai descobrir o preço quando o prato principal
já tiver saído do cardápio.
O BAILE DE 2026
Com a direita favorita para as vagas de governador e
senador, o campo progressista aposta todas as fichas em Jorge Viana para tentar
desequilibrar o jogo no embate para o senado. Porém, o verdadeiro espetáculo
deve vir da própria direita: sem unidade ensaiada, os pré-candidatos prometem
um disputa onde ninguém quer dançar conforme a música do outro. O resultado? Um
baile de sons dissonantes e muita disputa de espaço.
ESTAGNADO
O rio Juruá amanheceu nesta quarta-feira (4) com 13,43m, portanto
ainda acima da cota de transbordamento.

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