Rapidinhas com UrtigaDoJuruá
COLHES ONDE NÃO SEMEASTE...
FRUIR SEM SEMEAR
Diz a passagem bíblica: “Senhor, eu sabia que és um homem
severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste”. Em
Cruzeiro do Sul, a postura do poder público local parece espelhar essa imagem.
O programa Minha Casa, Minha Vida Rural é um projeto do Governo Lula.
O CINISMO É EVIDENTE
Mas a Prefeitura Municipal e o Governo do Estado não
hesitaram em se reunir com produtores de Assentamentos, do Polo de CZS e da
Reserva do Rio Liberdade, na Vila Santa Luzia, para faturar politicamente sobre
a obra alheia. O cinismo é evidente: enquanto a prefeitura fala em
"alinhar informações e dar encaminhamentos", na prática, agem como se
fossem os mentores de um benefício que não lhes pertence.
MORADIA COM "PAI DESCONHECIDO"
A narrativa de "dignidade para a família" foi o
tom do vereador Josafá Vale (UB) em suas redes sociais. O parlamentar exaltou a
segurança e a melhoria de vida que o programa trará ao campo, mas sofreu de uma
amnésia conveniente: esqueceu de citar quem é, de fato, o "pai" do
projeto. É a política do aproveitamento, onde o benefício é bem-vindo, mas o
crédito ao adversário é omitido.
CAUSA URTICÁRIA
Embora a secretária de Desenvolvimento Econômico e Turismo
tenha mencionado o governo federal como parceiro, a sensação é que falar o nome
"Lula" causa urticária.
TEM URTIGA NO MICROFONE
Há um esforço coordenado de certos atores
políticos para desviar o olhar do público, tentando omitir que a melhoria da
vida no campo e a dignidade habitacional hoje em pauta são prioridades e
realidade da gestão federal, e não concessões estaduais ou municipais.
EMBARCAÇÃO BLINDADA, MEMÓRIA CURTA
Este modus operandi se repetiu no último domingo (8),
quando a Secretaria de Segurança Pública do Acre recebeu, em Cruzeiro do Sul,
uma lancha blindada de grande porte. O equipamento, essencial para o combate ao
crime em áreas de fronteira, foi enviado pela Secretaria Nacional de Segurança
Pública (SENASP), do Governo do presidente Lula.
SEM RECONHECIMENTO PÚBLICO
Mais uma vez, o reforço moderno chega, a
segurança aumenta, mas o reconhecimento público do governo de origem em algumas falas parece
ficar pelo caminho.
QUATRO ANOS SURFANDO NA ONDA ALHEIA
O Acre vive uma esquizofrenia política conveniente. O Estado
e seus municípios são todos loteados por gestores de direita que, no palanque,
destilam ojeriza a qualquer pauta progressista. No entanto, na hora de fechar
as contas e entregar obras, o cenário muda: são quatro anos surfando, com
prancha de luxo, nas águas dos programas federais.
FÓRMULA MÁGICA
Do Novo PAC ao Mais Médicos, do SUS à Educação, do Crédito Agrícola
a Habitação a direita acreana descobriu
uma fórmula mágica: governa com o orçamento do Lula, mas posa de
autossuficiente para o eleitorado. É a política do "venha a nós o vosso
reino", mas sem o "amém" para quem assina o cheque especial.
O SILÊNCIO DOS CULPADOS
Se os opositores nadam de braçada no crédito alheio, a culpa
não é apenas da desfaçatez deles. Na região do Juruá, somos mais de 150 mil
habitantes espalhados por cinco municípios, e o vácuo de representatividade é
ensurdecedor. Não existe hoje uma voz de peso, um articulador ou uma liderança nomeada
pelo governo federal que bote o pé na parede e dê nome aos bois.
OS PREFEITOS RECEBEM A CHAVE E CORTAM A FITA
Sem ninguém para defender o que é de direito e de fato do
Governo Federal, o terreno fica livre. Os prefeitos recebem as chaves, cortam
as fitas e, logo em seguida, ajudam a alimentar a narrativa de que Lula é o
"vilão" do povo acreano.
É O CÚMULO DO ABSURDO
O povo come o pão que
o governo federal amassou, mas agradece ao padeiro local que só fez a entrega.
DESLIZANDO NA ONDA DOS INVESTIMENTOS
Enquanto o governo federal não ocupar os microfones do Juruá
com a mesma eficiência que ocupa as contas das prefeituras, o "surfe"
continuará. A direita vai seguir deslizando na onda dos investimentos federais
e, continuará jogando areia nos olhos de quem não percebe de onde vem
a dignidade que chega ao campo e à cidade.
O "RITMO" DO CORAÇÃO
O biomédico e empresário Lindemberg, do Citolab, escolheu a
manhã deste domingo (8) para oficializar seu casamento com o PL, em Rio Branco.
Em um discurso emocionado, afirmou que seu "coração ditou o ritmo" da
filiação ao partido "gigante".
ENTRE UMA BATIDA E OUTRA DO CORAÇÃO
Entre uma batida e outra do coração,
Lindemberg ainda encontrou fôlego para lançar uma pérola jurídica: declarou que
o ex-presidente Jair Bolsonaro é um "preso político". O diagnóstico
do biomédico, entretanto, parece ter ignorado os exames clínicos dos autos do
processo.
DIAGNÓSTICO EQUIVOCADO
Talvez o nobre empresário, inegavelmente bem-sucedido em
suas atividades privadas, tenha sofrido um lapso de memória sobre o prontuário
jurídico do seu "eterno presidente". Bolsonaro teve direito a ampla
defesa, o devido processo legal e trânsito em julgado, mas os fatos foram
implacáveis.
CRIMES E NÃO PERSEGUIÇÃO
As condenações por organização criminosa, tentativa de golpe
de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito não costumam
constar em manuais de perseguição política, mas sim no Código Penal. Chamar
isso de "prisão política" é forçar a amizade com a realidade.
IDENTIDADE EM TRANSIÇÃO: DE MILITANTE A CONSERVADOR
Para quem não conhece o DNA político do novo pré-candidato a
deputado federal, vale um teste de ancestralidade: sua trajetória começou no Diretório
Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de Cruzeiro do Sul. Sim, o agora
entusiasta do PL já foi militante fervoroso das causas sociais e ocupou espaço de confiança no governo petista.
VOLÁTIL
Mas, como o "ritmo do coração" é volátil,
Lindemberg agora abraça o figurino completo da direita conservadora: armas,
pátria, família tradicional e o combate à "ideologia de gênero". É
mais um caso de "ex-esquerdista" que descobriu que o alinhamento com
os valores cristãos e as privatizações combina muito bem com o novo norte
eleitoral.


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