COMO O CUSTO POLÍTICO DO PÓS-ELEIÇÃO MOLDARÁ A RELAÇÃO EXECUTIVO-LEGISLATIVO
Imagem editada através de IA/Fotos: Reproduzidas Redes Socias
Espinho na máquina:
Caros leitores da coluna Urtiga do Juruá, um problema técnico me trancou do lado de fora da nossa coluna principal já faz quase uma semana. Para a urtiga não secar e vocês não ficarem sem texto, recorri ao meu antigo blog enquanto tentamos reanimar o original, o que atualmente depende da boa vontade e do ritmo do nosso técnico responsável. Seguimos por aqui até o sistema voltar!
DE VOLTA À ALDEIA
As eleições se findaram e o povo brasileiro já conhece todos
os seus representantes nas esferas estadual e federal. A Mesa Diretora da
Câmara de Cruzeiro do Sul para os próximos dois anos foi definida por
unanimidade. No entanto, os ruídos nos bastidores municipais são fortes e cheios de
indagações por alguns atores políticos.
APENAS UMA MINORIA ACOMPANHOU O PREFEITO
O Executivo municipal rompeu com a chapa que veio a vencer a
eleição e apoiou o opositor Alan Rick
(Republicanos), certamente com suas próprias razões para isso. No entanto, dos
14 parlamentares, apenas três acompanharam os passos do gestor; os outros
debandaram, pelejaram em outra frente e festejaram a vitória no palanque
adversário.
MAS, E AGORA?
Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes? Passa-se
uma borracha e a luta continua com todos no mesmo barco, ou ainda tem muito
pano para manga? Como o nome disso é política, tudo pode acontecer, inclusive
nada. No entanto, tem vereador que continua no compasso e aumentou o tom contra o Executivo.
Nada disso. O mandato é um instrumento para representar a sociedade, não um pretexto para justificar conveniências políticas. Juridicamente, aliás, a vaga pertence à legenda partidária. A verdade nua e crua é que, nesta eleição, o encanto por um certo candidato vitorioso não nasceu de afinidade ideológica nem de simpatia pessoal, mas sim das quantias vultosas que circularam livremente no Estado. É o que se comenta à boca miúda, dos corredores do poder às rodas de boteco.
A NATUREZA ESTADUAL DO ICMS
Acima de tudo, e para apresentar argumentos coerentes, é
preciso que saibam que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS),
é de responsabilidade dos governos do Estado. Portanto mandar fazer o L, para
empurrar pro colo do governo federal, o acréscimo da gasolina, diesel e gás de
cozinha, além de demonstrar falta de conhecimentos é mau caratismo também.
A CONTA É ESTADUAL: COBREM DE MAILZA O AUMENTO DO ICMS
O calendário mal virou e a fatura do palanque já chegou às
bombas. A partir de 1º de fevereiro, a gasolina, o etanol, o diesel e o gás de
cozinha ficam mais caros com o novo reajuste da alíquota fixa do ICMS. Isso,
claro, sem contar a tradicional margem de lucro dos postos de combustíveis, que
nunca operam por caridade. Em Cruzeiro do Sul, encher um mísero tanque de 45
litros já virou artigo de luxo: a brincadeira vai beliscar fácil os R$ 400,00.
CATECISMO CONTRA OS IMPOSTOS FEDERAIS
Quem passou o ano eleitoral demonizando tributos e posando
de guardião do livre mercado correu para homologar o tarifaço na primeira
oportunidade que teve. É bem verdade que a tecnocracia de plantão correrá para se esquivar atrás do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), alegando que a decisão é colegiada e nenhum estado decide sozinho.
ONDE A NARRATIVA COLIDE COM O REAL
Mostraram com a caneta o que realmente pretendiam fazer caso
chegassem ao topo. O sarcasmo da realidade é implacável: enquanto o governo Lula precisou queimar gordura com subvenções e desonerações emergenciais
para conter a disparada do barril em meio às turbulências geopolíticas
internacionais, os mesmos governistas estaduais que bradavam contra a carestia
não pensaram duas vezes antes de enfiar a mão no bolso do motorista. No Acre, o
discurso liberal morreu na beira da bomba.
VISÃO LIMITADA: “QUEM TEM CARRO QUE PAGUE”
O líder do governo Mailza Assis soltou uma pérola para
defender o tarifaço do ICMS sobre os combustíveis há dias: “quem tem carro que
pague”. A frase escancara uma miopia econômica gritante ao presumir
que combustível só pesa no bolso de quem tem veículo na garagem. Trata-se,
acima de tudo, de um deboche contra quem depende de bens e serviços básicos em
cada canto do Acre, um estado que enfrenta desafios logísticos monumentais e
onde o preço do frete dita o valor da comida na mesa.
A ILUSÃO DO DIESEL E O FRETE DA CARESTIA
Achar que combustível é artigo de luxo ignora a realidade
local: no Acre, é o óleo diesel que dita o ritmo da inflação. Por depender
umbilicalmente do transporte rodoviário para quase tudo o que consome, cada
centavo a mais no litro se converte imediatamente em reajuste no quilo do
arroz, no feijão e no botijão de gás. Quem paga a conta da bomba não é apenas o
motorista, mas o trabalhador que mal consegue fechar as contas do mês.
O ECO DO PALANQUE: MESMO DISCURSO, OUTRO BOLSO
A postura, contudo, não surpreende e segue à risca a
cartilha ideológica dominante. Em um estado com mais de 70% de perfil
bolsonarista, o argumento repete o velho bordão dos tempos do governo passado:
quando a gasolina disparava e a população reclamava, a resposta padrão era de
que “só tem carro quem pode”.
EMPÁFIA
O infeliz “quem tem carro que pague” nada mais é do
que a versão atualizada da mesma empáfia: a elite política lava as mãos,
transfere o ônus da incompetência fiscal para o contribuinte e finge que a
carestia geral não tem dono.

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